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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

De porque não basta apenas tentar melhorar aquilo que aí está



Aqueles que se identificam muito com o velho tendem a querer trabalhar para melhorá-lo quando as crises se evidenciam. E nisto estas pessoas pensam que as suas ações são como “a outra metade da laranja faltante” e que tudo ficará bem. Mas as coisas não são bem assim.
Não estamos propondo que se abandone o velho, apenas afirmamos que não basta tentar consertá-lo, e que isto nem será possível fazer com sucesso sem outras novas medidas. 
Vejamos porém como tudo isto funciona, partindo de uma imagem da Cosmologia universal.

Buscando “o Caminho”

Os antigos chineses tinham um símbolo para a vida ou universo chamado Tao (significa “Caminho”), um ovo dividido em duas cores, denotando a importância do equilíbrio nas coisas.


Os reformadores e os políticos imaginam que suas ações serão como a outra parte do ovo, e que com seus gestos tudo se resolverá. O Tao será enfim “restaurado”. Contudo, eles não estimam com clareza o poder da inércia que existe nas coisas antigas.
Na verdade, eles partem de um equívoco original de interpretação, achando que o velho constitui a primeira metade das coisas. O velho não é parte da criação, do cosmos ou da Ordem universal. O velho não é aquela primeira parte da Tao, ele é apenas o caos original anterior à primeira diferenciação.


imagem do Universo com apenas 380 mil anos de idade

Consertar ou Renovar? Uma falsa questão

A tendência dos reformadores em geral -sociais, espirituais ou ambientais, entre outros-, sejam eles técnicos ou ativistas, é de querer melhorar e até “consertar” o mundo, numa espécie de medicina providencial, tratando de contornar as crises.
Certamente isto é necessário fazer, porém muitas vezes não é suficiente, ou nem possível.  Não podemos esquecer que existe um limite para todo tipo de medicina. Tudo neste mundo tem um fim, tudo que começa termina (como disse o Buda), tudo envelhece e morre, inclusive os sistemas sociais.


Quando algo se degenera ou envelhece, ele simplesmente acaba, e não podemos nos apegar a isto sem nos tornar zumbis obcecados ou criar monstros. A cura deve ser feita nos seus limites, no mais é deixar o tempo seguir o seu curso natural. Se tentamos violar as leis da Natureza iremos criar conflitos desnecessários. Nem tudo pode ser realmente “reciclado” na vida. Às vezes devemos propor a troca por algo novo para que o Todo da vida possa continuar.
Então devemos deixar a Natureza agir, pois a Natureza se renova não apenas se curando, mas também se recriando. Por isto, ao lado dos doutores-de-cura, devemos valorizar também os parteiros das coisas novas. E o outro grande trabalho a ser feito é desafogar, tirar a pressão, quebrar os monopólios e romper o círculo vicioso do poder. Quando criamos alternativas o velho quererá mudar por si só, é a velha e boa lei da concorrência.

Os alternativos sozinho sofrem, porém, de um problema semelhante aos reformadores, pois isolam-se demais do mundo, fechando-se em conceitos rígidos ou preconceitos sobre as coisas. Julgam poder separar suas buscas das dinâmicas sociais, e sentem-se naturalmente impotentes ante a cultura-de-massas. Porém mais uma vez a resposta está na permeabilidade, atuando juntamente com quem permanece dentro de “sistema” para melhorá-lo, servindo as novas iniciativas como desaguadouro das pressões sociais e como fonte de orientação e experimentação de grande pragmatismo transformador.

Conclusões

Quando penetramos num sistema fechado tentamdo mudá-lo, ele ativa as suas forças de resistência, que às vezes podem estar mais arraigadas do que imaginamos. Então a intenção do novo, na sua debilidade (interna ou exterior), é pressionada a aderir ou desistir (ou ser destruído).
Talvez as coisas não devam mesmo ser “apenas" melhoradas, de forma paliativa e superficial. A renovação via recriação é necessária, produzindo um contraponto vital que gerará padrões de equilíbrio nos dois sistemas, o velho e o novo, um mais materialista e outro mais espiritual.
A “grande questão” não está pois no falso-dilema entre consertar ou renovar as coisas, e os grandes sábios que mudaram o mundo com profundidade tiveram esta percepção. As pessoas comumente se dividem radicalmente entre reformadoras e renovadoras, porém esta separação é fatal para ambas as linhas-de-iniciativas, porque deixa um lado muito atrofiado e o outro lado muito abandonado. É preciso abrir o canal-de-comunicação entre estas duas vertentes, a política-reformista e a alternativa-recriadora.


Por isto no símbolo do Tao, as duas metades também estão preenchidas por sementes dos seus opostos. E assim se conquista a Harmonia Universal.*


* Algumas Cosmologias associam as origens ao signo sideral de Libra (como em Ibn Arabi, o “Mestre dos mestres”), onde o esoterismo também situa a chegada de Shambala, e o termo Tule das cidades sagradas remete ao chinês Tula (Libra).

Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agarthawww.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.combr, Fone (51) 9861-5178

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